TIPOS DE TRATAMENTOS

 

 Sabemos que a busca por tratamentos psiquiátricos é uma decisão delicada para pacientes e familiares. Por isso, quando um paciente procura a CPNA é atendido por um psiquiatra que faz a avaliação de todo seu histórico e indica as melhores opções de tratamento. Juntos, médico, paciente e familiares, conversam para decidir qual será o caminho adotado. 

DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIAS

 Para falar sobre Dependência de Substâncias precisamos deixar claro o que consideramos substâncias, são elas: Drogas ilícitas como Cocaína, Maconha, Crack, entre outras e Álcool, Nicotina (cigarro) e até alguns Medicamentos.

 

 Segundo a DSM-5 a tolerância, a abstinência e uso compulsivo são os três indicadores da Dependência de Substância. A pessoa precisa cada vez mais para obter o mesmo efeito (tolerância) e tentar parar, gera dolorosos sintomas físicos e psicológicos (abstinência).

 Em vez de desfrutar da droga, o indivíduo torna-se vítima e agora necessita dela. Ele não controla mais a substância; é a substância que o controla e se sente compelido a usá-la, mesmo que isso esteja arruinando sua vida (uso compulsivo). Ele pode querer parar desesperadamente mas não consegue; um forte desejo continua trazendo-o de volta e querendo mais.

 

 

Dependência de Álcool

 O que genericamente chamamos de álcool é na verdade, o etanol sendo encontrado em todas as bebidas com teor alcoólico. O que acontece no organismo quando ingerimos bebidas alcoólicas? Logo após a ingestão de bebidas alcoólicas surgem seus efeitos estimulantes como euforia, desinibição e desembaraço. Surgem com o passar do tempo, efeitos depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sonolência. Quando há consumo exagerado, o efeito depressor é exacerbado podendo até mesmo provocar estado de coma.

 

 

Qual é o efeito farmacológico do Álcool?

 O que se observa após a ingestão de doses baixas de álcool é uma reação comportamental imprevisível, variável de indivíduo para indivíduo e dependente do ambiente e das expectativas individuais. Em determinado ambiente, uma pessoa pode se tornar eufórica, agressiva ou violenta; em outro, pode se tornar sonolenta, introvertida ou deprimida. Qualquer que seja o comportamento pelo álcool, as funções cognitivas que envolvem a memória e o julgamento são prejudicadas, bem como as funções psicomotoras. Perifericamente, o álcool pode provocar uma sensação de aquecimento do corpo, devido à vasodilatação periférica e provocar rubor.

 

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA

 

 A Nicotina é a segunda droga com maior prevalência de autoadministração, perdendo apenas para o etanol. Entretanto, segundo dados americanos o número de mortes por doenças relacionadas ao tabaco, é cinco vezes maior do que o de mortes induzidas pelo álcool.

 O Tabagismo é considerado um comportamento aprendido e  reforçado pela Nicotina, o principal componente aditivo encontrado no cigarro.

O que acontece no organismo quando fumamos?

 Sabe-se que na fumaça proveniente da queima do tabaco, estão presentes mais de 4 mil substâncias já identificadas. Cada cigarro fumado apresenta uma quantidade de nicotina entre 7 e 9 mg, dos quais pouco mais de 1 mg é absorvido pelo fumante. A nicotina é assimilada com rapidez pelos alvéolos pulmonares, atingindo o cérebro em cerca de 10 segundos e apenas 5% da nicotina, é excretada de forma inalterada. Por ser um indutor de enzimas hepáticas, a nicotina interfere no metabolismo de vários fármacos, causando vários prejuízos.

 

Qual é o efeito farmacológico?

 O aumento da produção de noradrelina provoca aumento da frequência cardíaca, aumento do estado de atenção, náuseas e pieloereção. Já o aumento da acetilcolina levaria a uma melhora relativa da memória; o aumento da serotonina levaria a piora da ansiedade, e o aumento da dopamina levaria a euforia, o que reforça o uso da nicotina (sobretudo porque os receptores nicotínicos implicados na ação da nicotina, estão localizados no sistema dopaminérgico mesocorticolímbico).

 Muitos fumantes relatam sentir uma sensação de relaxamento após fumar, mas na verdade, a nicotina apresenta um efeito estimulante sobre o cérebro. A sensação de relaxamento é provocada por uma discreta diminuição do tônus muscular.

 É importante ressaltar, que a Nicotina induz tolerância (necessidade de doses progressivamente maiores para obter o mesmo efeito) e dependência (desejo de consumi-la) por agir nas vias dopaminérgicas do sistema mesolímbico.

ENTENDA O PROCESSO DE DEPENDÊNCIA

 

 Porque os usuários de substâncias podem se tornar dependentes?

 Fatores psicológicos, genéticos e ambientais (nesse caso, entrariam também a educação, questões sociais e demográficas) influenciam muito no processo de dependência. É necessária a combinação de diversos fatores para que uma pessoa se torne dependente.

 O termo abuso (dependência) refere-se a qualquer uso que transgrida normas sociais vigentes, compreendendo o uso de substâncias ilícitas (maconha, cocaína, crack, etc), o uso inadequado de drogas lícitas (álcool e tabaco) bem como, o uso de medicamentos sem prescrição médica. A dependência é definida como um padrão mal adaptado de uso de substâncias psicoativas, levando a perturbações clinicamente importantes, associado a dificuldade de interromper o uso, junto com a existência de tolerância, desejo compulsivo (craving ou fissura) e sintomas de abstinência.

 Quando se questiona a existência de um componente genético que poderia caracterizar a dependência química, a resposta é: “muitíssimo provável”; difícil é imaginá-lo como algo isolado, já que o que verificamos existir hoje é uma interação gene-ambiente. De fato, o componente genético tem uma participação importante, mas se não estiver ligado a fatores ambientais, apresenta pouca relevância.

 

Porque as pessoas fazem uso dessas substâncias, sabendo do mal que faz para elas?

 Psicologicamente falando, quase sempre estão em busca do prazer, de se sentir inseridos e de preencher um vazio que não conseguem identificar de onde vem. As substâncias em um primeiro momento, parecem preencher esses sentimentos o que leva o indivíduo a continuar com o uso, que acaba se tornando um hábito e posteriormente um vício.

 Também podemos considerar que vários são os fatores que concorrem para o uso de substâncias químicas por exemplo, sintomas depressivos que podem predispor o uso de substâncias químicas (hipótese da automedicação); resultado de dificuldades socioeconômicas como desemprego, divórcio, desilusões (hipótese socioeconômica) ou alterações neuroquímicas (transitórias ou persistentes) produzidas pelo uso crônico ou pela síndrome de abstinência (hipótese neurotóxica). Por fim, é possível que sejam patologias independentes ocorrendo coincidentemente em um mesmo indivíduo (hipótese genética).

 

Se eu procurar ajuda e me tratar posso me curar?

 Por ser uma doença crônica é difícil afirmar que há cura para dependência química, porém ela é passível de tratamento onde há expectativas de interrupção do consumo da droga e retomada da vida pessoal, familiar e profissional.

 

Porque a recaída e tão comum na dependência Química?

 A recaída é compreendida como a reinstalação do padrão de uso da substância após um período de abstinência.

 Estudos comportamentais mostram que, mesmo após longos períodos de abstinência, o dependente químico continua vulnerável a estímulos desencadeadores de recaída. Esses estímulos podem estar relacionados à própria substância ou a eventos estressores. Estudos neurofisiológicos e neuroquímicos em nível celular e molecular, apontam que as alterações neuroadaptativas de longa duração são as responsáveis por esse processo de recaída.

 

O que é craving? Como se explica?

 O craving é a manifestação de um desejo ou necessidade intensa de uso da substância, é um fenômeno multidimensional que inclui disfunções relacionadas a desejo e satisfação, intensificação do estado de alerta, direcionamento motivacional para o uso, prejuízos cognitivos temporários e elaboração de imagens visuais relacionadas ao comportamento de uso. Envolve múltiplos sistemas de neurotransmissão e diferentes estruturas anatômicas. É um fenômeno contínuo que pode ser experimentado continuadamente pelo dependente, sendo por isso, um fator de recaídas. O que mudará ao longo do tempo é a forma como o indivíduo lida com essa necessidade ou desejo pela droga.

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